sexta-feira, 7 de março de 2008

Federico Garcia Lorca

CANTOS NOVOS
Agosto de 1920(Vega de Zujaira) Diz a tarde:
"Tenho sede de sombra!"
Diz a lua: "eu, sede de luzeiros.
"A fonte cristalina pede lábiose suspira o vento
Eu tenho sede de aromas e de sorrisos,
sede de cantares novossem luas e sem lírios,
e sem amores mortos.
Um cantar de manhã que estremeçamos
remansos quietosdo porvir.
E encha de esperançasuas ondas e seus lodaçais.
Um cantar luminoso e repousadocheio de pensamentos,
virginal de tristezas e de angústiase virginal de sonhos.
Cantar sem carne lírica que enchade risos o silêncio
(um bando de pombas cegaslançadas ao mistério).
Cantar que vá à alma das coisase à alma dos ventose
que descanse por fim na alegriado coração eterno.
Federico García Lorca - Livro de Poemas

SE MINHAS MÃOS PUDESSEM DESFOLHAR
10 de novembro de 1919(Granada)
Eu pronuncio teu nomenas noites escuras,
quando vêm os astrosbeber na lua
e dormem nas ramagensdas flolhas ocultas.
E eu me sinto ocode paixão e de música.
Louco relógio que cantamortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome,nesta noite escura,
e teu nome me soamais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então alguma vez?
Que culpa tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?Se meus dedods pudessem
desfolhar a lua!!

Federico García Lorca - Livro de Poemas


COM A FRONTE VOLTADA PARA O CHÃO
Com a fronte voltada para o chão e o pensamento alto,
ia eu andando, andando,
e na senda do tempos
e lançava minha vida em busca de um desejo.
Junto ao caminho cinzentovi uma vereda em flor
e uma rosacheia de luz,
cheia de vidae de dor.
Mulher, flor que se abre no jardim:
as rosas são como tua carne virgem,
com sua fragrância inefável e sutil
e sua nostalgia da tristeza.1921 -

Poemas EsparsosFederico Gracía Lorca

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